terça-feira, 8 de julho de 2008

● O Bozo não morreu...


— Te desprezo, hein?! Sai fora do meu blog, sua fã doente de ex-BB! Eca!


Não é de hoje que este segmento da Net me desperta curiosidade, proporciona surpresas agradáveis e vasto material para meu deleite. Desde os primórdios deste blog, sempre procurei compreender os motivos e sentimentos, a tal ponto de fincar bandeira e envidar esforços para entender o que nos entusiasma a falar e falar sobre os jogadores e suas peripécias, até mesmo quando expirado o prazo de validade deles. Muita coisa eu capitei, aprendi, entendi. Outras, ainda permanecem incógnitas na obscuridade da mente humana.

Quando aqui cheguei, vi algo novo até então, diferente — intrigante e instigante; por vezes, surreal —, passivo até de análise, de forma superficial ou contundente, passional ou dentro de certa razoabilidade, se é que isto é possível, no modo como se comportam produtores, jogadores, blogueiros e comentaristas — temporários ou cativos. Achei que poderia fazer parte do segmento. Imaginei que pudesse contribuir de alguma forma... Viagem de um aventureiro sem eira e nem beira. Presenciei muitas alegrias — desilusões também —, algumas papoterapias interessantes nas madrugas. Cresci com a troca de idéias inteligentes, no coleguismo, na camaradagem, no embate de torcidas inflamadas e apaixonadas, vi muitas discussões ferrenhas, elucubração de assertivas e, também, de grandes bobagens. Tudo pela diversão, pelo prazer de rir com gosto.

O riso é uma expressão que deveria ser sempre agradável, mesmo quando o rir é de nós mesmos. Já me peguei rindo de mim, principalmente quando releio posts que um dia escrevi. Hilário! Me questiono onde estava com a cabeça pra redigir tamanhas pérolas! Já me decepcionei também, pois já me arrependera de ter escrito uma ou outra sandice, ou que, poderia, ter escrito e postado de forma mais amena, menos piegas. Contudo, já desisti de entender certas cabeças "pensantes". O analista de Bagé morreu!

Aventurar-se a entender os sentimentos e comportamentos que regem a blogosfera BBB é loucura para qualquer homem comum. Eu não me garanto. Nem a mãe de Freud explica. É área minada, onde egos se apoquentam e tomam dores por qualquer palavra solta, fora do contexto, numa frase infeliz de um suposto inimigo da Ordem dos Cavaleiros BBBzários — paladinos guardiões das verdades sobre o jogo e o pós-BBB, os juízes salomônicos que setenciam quem deve ter êxito e quem deve acabar à míngua, quando terminado o jogo Big Brother. O carisma dos participantes, a vontade de uma parcela dos fãs que colaboram para dar vida à blogosfera BBB, ou as possíveis e reais possibilidades de sucesso, são renegadas, espezinhadas; o jogo das palavras perdura até ficar enfadonho e antipático, a quem lê e, também, a quem comenta. No entanto, o ciclo (ou círculo, ou circo) vicioso toma novo fôlego, e volta com força quase infinita; todavia, não seria de bom tom tentarmos sair da mesmice — o de bater no outro: participantes e seguidores, até sangrar? É, eu sei, é utópico meu pensamento, pois configura-se em vício medíocre, e, como tal, dificilmente mudará.

Já sacramentamos como primeira atitude que, após o último boa-noite do Bial, devemos perseguir quem está tentando atingir algum patamar de sustentabilidade financeira — ou midiática. Evidente que os sonhadores erram, metem os pés pelas mãos, protagonizam gafes risíveis ou dignas de piedade. São marionetes usadas como dínamos na corrida pelos acessos, são usados em prol do sensacionalismo barato, porém, lucrativo, inclusive para eles; são motivos de chacota... são anônimos que, estabanadamente, anseiam algum espaço na mídia, mas lhes falta preparo ou talento, e sobra soberba ou deslumbramento para, finalmente, caírem na triste realidade do ostracismo. Gostaria que não fosse dessa forma, porém, é assim que os fatos tendem a seguir. É tudo repetição do óbvio.

Por esse prisma, deveria ser proibido, por cláusula contratual, que qualquer ex-BB tentasse carreira artística, durante dois anos depois do programa — no mínimo. Para nós, os imortais e donos da verdade, chega a ser uma afronta vê-los que nem mendigos a remexer a carniça. Eles não merecem nem isso. Mesmo porque, a chamada Net BBB, que diz amar o programa, é a primeira a originar, ou ratificar com ojeriza, as maledicências sobre os participantes. Se nem nós, imortais, somos capazes de assumi-los, por que os mortais deveriam? Morte aos renegados! Findo o "jogo", cada um deveria recolher-se a sua hipossuficiência; parar com essa palhaçada de ser estrela, num mundo cujas chances não existem pra mais ninguém, pois estamos atopetados de grandes talentos. À vista disso, o campeonato valendo o milhão já terminara. O juíz apitou o fim da peleja, logo, vão todos para o vestiário, tomem um banho de semancol, voltem para o doce lar, deitem na cama quentinha e a vida segue. No fim, na real, poderia ser assim; resolveria metade dos problemas socioeconômicos e culturais destepaiz.

Será? Como sou retardado ainda penso de forma bastante simplória...

O desejo coletivo — e civilizado — ou da maioria, deveria ser que todos os jogadores, que nos proporcionaram algum sentimento, que despertaram paixões ou apatia, e nos entreteram durante três meses do ano, levassem o melhor possível, que todos eles pudessem ganhar os seus caraminguás. Lamentavelmente, somos grandiosos demais para tal gesto solidário. Será que é difícil aceitar que há espaço para todo mundo? E que tentar não custa nada? Que no fim da jornada só há dois caminhos? Se tiver competência, o sonhador se estabelecerá em algo palpável. Caso contrário, sairá de cena, mas, pelo menos, lhe foi dado o direito de tentar, mesmo errando, mesmo sem talento algum. Nada disso! O mais próximo que chegamos de nossa íntegra civilidade é quando estamos a rir da desgraça alheia. Eu fico numa celeuma de frouxos de riso e estupefato pelo comportamento humanitário de outrem.

Eu gosto do ambiente competitivo e lúdico que temos por ocasião do programa. Mas continuo com alguns conceitos definidos, como já dissera anteriormente: deveríamos brincar e gargalhar como o Boninho faz no seu circo de edições. O Big Brother não é pra ser levado tão a sério, ao ponto de pararmos tudo e vivê-lo, intensamente, a vida toda, o ano todo, toda hora, é uma brincadeira — de férias, para alguns —, quase de mentirinha; é para ser piada constante como faz os excelentes blogs de humor, vide o divisor de águas: o Big Bosta Brasil. Deveria ser leve, divertido e prazeroso nos blogs-fã. Veja bem, deveria, mas nem por lá as pessoas têm o direito de assumir o lado brega do virtual. Até lá são achincalhadas. É a nossa natureza do respeitar as diferenças impondo o que é certo e errado. Cabe a pergunta: — O que é certo e errado nesta joça? Não sei, mas acho que aqui ninguém é dono absoluto das verdades. O que é certo pra mim, pode não ser o correto para você, mas eu tenho o direito de viver a minha verdade, desde que não interfira no seu direito, e vice-versa. E convicto estou que os exageros existem, e não é de hoje.

Penso que, durante o programa, é pra rir e se emocionar da espontaneidade, do cômico, do ridículo, até da desmoralização consensual dos jogadores, que se prestaram ao papel na quase novela. E ganharam e ganham para tal — e bem. Que seja, então, diversão garantida: rir do Bial, do Boninho, dos participantes que charlataneiam ao tentar nos enrolar como se fossem pessoas virtuosas nas vinte-e-quatro horas do dia, rir das edições folhetinescas que nos evidenciam como suas personalidades são moldadas, conforme a audiência a$$im determina. Gargalhar das teorias conspirativas que elaboramos, da forma como torcemos. Rir das bobagens que postamos. Mas não dá para rir — por muito tempo — de gente que se acha o supra-sumo de alguma coisa, quando apresenta sinais claros de preconceito extremo. A gente ri dois, três, quatro meses, no quinto percebe que não é idiotice, é loucura, é moléstia das células do discernimento, é uma vergonha, incomoda e começamos a ficar com pena do fado. Eis um sentimento desagradável de ter: a pena.

Incomoda. Não pela provocação estúpida, ou o ruído cacofônico do arrastar das correntes. Mas pela maneira como todos nós — blogueiros e comentaristas — somos vistos por causa de gentalha que não dissocia o tempo para brincar, o tempo e a maneira razoável para criticar, digladiar e, finalmente, o tempo e espaço para desejarmos a todos que sigam seus caminhos. Somos vistos como patéticos, alienados e desocupados. Ao invés de darmos forças à trupe, despejamos ódio gratuito e sem sentido, semeamos a discórdia. Há diferenças densas e consistentes entre a crítica construtiva, a indiferença, o comentário banal, a ironia, a piada sem maldade, a provocação salutar das torcidas, o destempero da perseguição preconceituosa e a maldade propriamente dita. Perde-se a graça quando a "piada" passa a ser pessoal. Da mesma forma que viver a vida do participante preferido, ou persegui-lo e protegê-lo, a qualquer preço, como se fosse um filho aleijado e desprotegido, é constrangedor. Perde-se o encanto, a identidade, a liberdade, a razão... ganha-se vergonha alheia.

Nesses dois anos que assisti e bloguei na blogosfera BBB aprendi — é o meu aprendizado, e assim farei — que quando termina o programa, finda(ria) nossa loucura coletiva. Pelo menos, deveria ser por aí, não é mesmo? Muita gente sensata atenta, pára, pondera, realiza e contribui de forma satisfatória. Infelizmente, errôneas reminiscências e sentimentos ordinariamente vaidosos, portanto, vazios em argumentos, ficam no imaginário de gente que se sente ofendida na alma, mesmo sem NUNCA ser pauta de posts e comentários, sequer, minimamente ofensivos, de quem quer que seja. É como se a Terra girasse em torno dessa entidade detentora de toda a beleza, sabedoria e poder. As acusações acontecem, a falta de respeito impera e baluartes da anarquia tomam partido desse ou daquele gladiador; os fóruns e haloscans inflam em teses alienígenas. Já me acusaram de algumas panaquices por aí, como se eu tivesse prazer e necessidade de fazer da net o meu limbo moral. Como se tivesse tempo, tesão e interesse. Paciência, quem tem teclado, mouse e não respeita nem a si mesmo escreve o que quer! Não ligo mais! Quer dizer, enquanto eu detectar sinais claros de fragilidade no caráter e desvios da personalidade de quem escrevinha. Além disso, me parece óbvio que quem rabisca tais panaquices é otário líquido e certo, uma vez que a contradição moral é o norte de sua alma penada atrás do teclado moribundo.

Muito se escreve acerca de ditar — impor — regras. Longe de mim fazê-lo, pois aqui mais aprendi que contribuí. Logo, não quero aqui conclamar alguma revolução no comportamento alheio — e meu também —, seria muita pretensão de minha parte e, tampouco, tenho competência para encabeçar algo de grande monta, mas se faz necessário que se verifique, objetivamente, o mínimo de bom senso nas palavras jogadas a esmo. Aliás, fico embasbacado quando pessoas, notadamente inteligentes, dizem amém, em ocasiões em que gente sem moral pra nada, faz o que bem entende numa página de internet. É lamentável assistir valores básicos serem deturpados, a bel-prazer do desejo mórbido de se ver teorias estaparfúdias tomarem algum sentido. Tipo: façamos qualquer negócio pra provar por A + B que beltrano merece ser metralhado e desovado no Tietê.

Mas, Kane, peraí, se toca meu, você não é obrigado a ler. Sim, é verdade, evito ler, e mesmo quando alfinetado evito responder, e quando leio, tento imaginar o que leva o prodigioso cérebro a escrever tanta asneira. É agonizante querer entender o que não tem explicação. O problema, meu caro, é que tem gente fraca das idéias que lê, acredita, faz coro e propaganda enganosa, e nem sabe o porquê está fazendo. Talvez, por falta de senso crítico, por não ter competência de contra-argumentar, discordar e formular um pensamento próprio. O faz pelo simples fato de sentir-se "enturmado", "ouvido", como se pertencer a alguma tribo odiosa fosse a oitava maravilha do mundo: a descoberta do portal para o Nirvana. É deprimente o estilo. É de gargalhar dos absurdos! Tem momentos que me acho com a cara do Coringa, o arqui-iminigo do Batman, tal o tamanho da risada.

E dizem que o Bozo morreu... ledo engano. Está mais vivo e palhaço que antes — apesar de esquizofrênico —, ressuscitou:

— Olha eu aqui, ó!

Do acervo: texto/longo/chato.com.br


Contato com Citizen Kane E-mail: sociedadebbb@bol.com.br
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