domingo, 4 de março de 2007

Polêmicas para alguns, nem tanto... para outros.

Sorriso anti-enveja




Existem alguns detalhes que envolvem o entretenimento que, volta e meia, são motivos de desconfiança, julgamentos, setenciamentos descabidos, convulsões de rebaixamento moral e comentários inflamados.


Sobre Bial e a Novela BBB: faz-se necessário esclarecer, de uma vez por todas, o que Bial, realmente é, a frente do programa, se mediador, torcedor, a voz do povo, a voz da produção, torcedor mor, ou outro jogador, seja lá o que for, mas, é prudente que se estabeleça um padrão de comportamento que não interfira no caráter do jogo, isto é, a que se propõe um reality show.

É notório que a televisão brasileira e, creio eu, nos outros países também, produz e transmite-se aquilo que agrada seu público, segundo as caracerísticas de suas culturas locais, educação, pungência socio-econômico, heterogenia(ou não) das várias classes sociais e, neste caso, leva-se em consideração, a maior massa telespectadora, pois, é a que assiste e dá retorno financeiro. É o capitalismo selvagem.

A televisão no Brasil tem peculiaridades próprias, de se relacionar com a massa telespectadora. A interação, numa TV aberta, é fundamental para os interesses de ambos, transmissor e telespectador. Bial está, penso eu, incorrendo em erros como mediador e vestindo-se de torcedor que, como a massa telespectadora, também foi na onda Siri de ser. Embora, muitos se acharam vingados por ocasião das farpas, pistas e "falsas pistas" dele para com os confinados, Bial se perdeu e deixou claro que é a voz do povo, interagiu, sendo o menino de recados da massa telespectadora para os cativos. Não sou o dono da verdade, mas, no fundo acho que o jornalista Bial, se deixou levar pelo que temos enraizado na nossa história: o espírito solidário, pacífico, o bem-querer aos necessitados, e uma necessitade mórbida de se penalizar dos oprimidos. Ele, como profissional, perdeu a dose quando expôs isso, mas, ganhou o público que o assistia, por ter sido o "torcedor Bial". Sei que é difícil separar os fatos, o apresentador, do torcedor. Para qualquer ser humano seria, mas, repito, para o que se propõe o programa, tem que haver um padrão e se impor como profissional. É o seu ganha pão, então deve ser feito com a maior imparcialidade possível, afinal, os jogadores partem da premissa que, todos são capacitados para o grande prêmio. Quem decide quem sai ou não, somos nós, telespectadores.

Estamos, se não no topo, mas, entre as maiores e melhores teledramaturgias do mundo. É nosso produto máximo de exportação televisiva. E isto, está influenciando no programa BBB. Não vejo como algo negativo, colocar um tempero nas edições, o deixa muito mais interessante e assimilável, fica divertido e mexe com as emoções, que é o fundamento do entretenimento mas, sou contra os excessos. Depois de sete edições, os jogadores e produção ainda vem com a mesma cartilha, o maniqueísmo. É televisão, é empresa, são negócios e está vendendo; a Globo se identificou com a fórmula e evidencia o que o povo quer ver. Até ai, não vejo imprudência, vejo conveniência no entretenimento e seus lucros e dividendos. O que não pode de jeito nenhum é personificar o jogador de três meses de programa, em persona non grata aqui fora. O Brasil, infelizmente não está, em sua maioria, preparado para separar o real do surreal, somos passionais exacerbados.

O BBB no Brasil é diferente dos demais países? Claro que sim. A questão a ser discutida é, se nós estamos preparados para assistir um reality show sem o tempero que, cultura e televisivamente gostamos. O Brasil, em sua maioria, não tem um poder comparativo; a maioria não tem PPV e tampouco, acesso a globo.com. Gritar e espernear não adianta. Quem entende de BBB e televisão tem que, opinar de forma democrática e que a resolutividade seja o melhor para a maioria. Agradar a todos será impossível ou vocês ja viram uma televisão ou programa com 100% de IBOPE? O que se quer? Um programa para a maioria, um programa para a minoria ou, um programa para todos? Num país onde as diferenças socio-econômicas são evidentes e os melhores acessos de entretenimento e lazer estão nas mãos de poucos, como seria assistir a um reality show, como nesse caso, com pessoas que, por quase dois meses, foram apenas inquilinos vips? Eu tenho todos os acessos e fiquei entediado até a alma em muitos momentos.

Pedro Bial foi de fato, infeliz, em seus comentários e comportamento perante Alberto, que é uma cara de formação exemplar e, digno de nota por seus dotes de perspicácia e análise do todo; um trintão boa praça que quer também ter o seu espaço no rol dos vencedores e, não temos que confundi-lo a ponto de ser odiado pelo que fez no programa. Ele é jogador e franco candidato ao prêmio, tem seus direitos de fazer o que achar conveniente para seu êxito. Quem decide se queremos ou não, ver fazendo a sua maneira, somos nós que votamos ou, pelo menos, deveria ser assim. Nosso compromisso é com o jogador caubóy e não julgar a pessoa Alberto, como cidadão.

A polêmica está em cima do apresentador mas, penso que o problema e a solução estão ladeados, estão concentrados na direção do programa que deveria expor com clareza o que é o jogo Big Brother Brasil, de fato e de direito.


Sobre Íris, fanatismo e as perseguições: Sinceramente falando, não consigo entender a CONTRADIÇÃO E CONTUMAZ POSTURA de certos site-blogs, que se acham os "injustiçados", "enganados", "trapaceados", "lubridiados". Os mesmos que pregam que no BBB7, as edições estão maculando a imagem dos jogadores, dentro do programa, são os mesmos que vociferam com chulismo e perseguição voraz e invejosa, os jogadores aqui fora. Ver e ler esse tipo de opinião me constrange como blogueiro pricipiante. Não é possível que os seguidores dessa linha de raciocínio prepotente, sejam normais em discernimento. Reclamam tanto da forma como as edições fazem com seus "preferidos" e fazem pior com os seus "preteridos". E mais agravante e desmedido, o fazem quando os jogadores estão fora do programa e que já deram a sua contribuição para o entretenimento. Quero entender o porque desse incômodo. Um dia, talvez pergunte, e espero sanar minhas dúvidas, sou fraquinho das idéias. Talvez me ajudem a achar o verdadeiro motivo de tanto rancor.

Porque esses site-blogs não dão o exemplo para as edições e desejam sucesso aos participantes eliminados? Porque esses renomados blogs não agradecem a participação dos jogadores? Não o fazem, simplesmente por não terem o que fazer para alinhavar suas teorias da conspiração a base de doses absínticas. São os ébrios perdidos em seus próprios argumentos. Não o fazem porque não querem adimitir que, se pode ser civilizado mesmo num país com tantas diferenças.

Falar da pessoa Íris como se fosse uma vigarista e afins, ou outorgá-la nuances de aproveitadora vil, é denegrir a imagem de quem não se conhece a fundo. Não há embasamento moral, qualitativo para fazê-lo. A moça não entrou pela janela e sim pelas portas da frente, do BBB7. Se esforçando e perseverando o seu sonho, assim como muitos outros confinados. Só em ter se esforçado e buscado com afinco, já se é digno de admiração. A perseguição a Íris, neste momento, só vai lhe ser favorável, pois, causa polêmica, consequentemente a evidencia e vende mais. Mas, me sinto triste quando se prega a "não adjetivação negativa" de um jogador e os mesmos gurus o fazem de maneira torpe e censurável. O paradoxo dessas agressões é que teremos um efeito contrário ao que, os recalcados objetivam.

Sou uma piroga mas, nunca serei furada. Navego em águas calmas sendo, eu mesmo, o comandante, tendo minha consciência como meu Imediato. Quem sabe meu casco não chegará a ser um Titanic? Só espero que não naufrague como o original. (risos)

Sobre Sônia Abrão: percebo que as mesmas pessoas que maculam os jogadores que saem do programa, são as mesmas que questionam "a moral" da apresentadora. Eu pergunto, o que tem de imoral a moça falar de BBB em seu programa? Ressalta-se que, um dos motes do programa é exatamente esse, falar de famosos e programas de televisão; uma forma de "video Show", só que explora programas de outras emissoras, tendo seu público cativo. E agora com essa polêmica toda, com certeza sua audiência cresceu tão quanto o apedrejamento sem nexo, simplesmente o fazem gratuitamente.

A Rede Globo, que deveria ser a principal preocupada com a exploração de seu programa por outra concorrente, não se fecha em copas e, tampouco, embarga informações à produção de Sônia Abrão, muito pelo contrário. Porque então a demonizam? Porque querem aparecer como os "intelectuais" ou, a "classe pensante" ou seja lá o que for... recalque mesmo, simples assim.

Ela tem o direito de falar e opinar sobre o jogo sim. Isto não é lavagem cerebral, é compartilhar com o público as suas idéias. Não somos mais um país que, em sua maioria, acredita em tudo que vê na televisão, já aprendemos a questionar e seguir com nossas próprias conviccões. Somos amadurecidos para entender do que se trata as opiniões dela, Sônia, como torcedora desse ou daquele jogador e separar das nossas próprias. Lógico que deveria haver o confronto de idéias, a partir do momento que há divergência de opiniões, tipo, "estão falando mal do meu jogador, então odeio tudo que venha de encontro ao que penso". Até aí entendo a revolta, pois faltou a defesa do lado oposto mas, não justifica colocá-la como inimigo público número 1. Existem meios mais simples e diretos de se contrapor as idéias da apresentadora, pois quem está dando chilique é exatamente a Net. Logo, é fácil você que está indignado passar um e-mail para sugerir mudanças ou opinar a sua verdade. Eu, pelo menos umas duas vezes, já vi e ouvi a torcedora Sônia ler e-mail ou receber ligações de telespectadores contrários a sua tendência.

O fato dela externar carinho por determinados participantes, não muda o panorama de que já se tem no Brasil sobre os cativos. Apenas corrobora alguns fatos e entretém quem assiste, de forma lúdica, na torcida por seus preferidos. Ela tem esse direito, de falar o que pensa do BBB, uma vez, que a emissora Rede TV, não a censura e muito menos a seus convidados, que não tem vínculo empregatício com a emissora . Ela não tem contrato com a Endemol e, tampouco, com a Rede Globo.

Não é imoral o que ela faz, é entretenimento. Se de qualidade ou não, é problema dela e seu público alvo. Imoral é a maneira como se vê e interpreta os fatos. Assiste quem quiser ou faça valer o bom uso do controle remoto.

25 comentários:

mary disse...

Verdade... O Brasil é diferente mesmo e por isso está produzindo o melhor reality show do mundo. Os outro é que vêem aqui aprender como se faz.
Parabéns pelo post.
Viva a Sirizinha!!!!!!!!!!!!

darc disse...

Seria tão civilizado se fosse dessa forma. Nem daqui a 1000 anos conseguiremos. Os que estão no topo, simplesmente, querem ver o circo pegar fogo. Seu lirismo me comove, mas, o Brasil está longe de ser esse mar de rosas e compreensão das diferenças.

heineken disse...

Concordo com vários pontos do texto (ofensas a participantes ou torcedores, Bial como tirano-mor da maioria...) Porém sou bem mais receoso quanto à novelização do bbb: apesar de pretenderem ser "bem-humoradas", expressões como "lobo mau" e "um triângulo incomoda muita gente" excedem os limites da imparcialidade, honestinade e da isonomia. A transformação de jogadores em personagens poderia até ser feita, mas sempre sob a base do equilíbrio. E não foi isso o que ocorreu: jogadores como Alberto tiveram ótimos momentos ignorados (como quando explicou detalhadamente cada um de seus argumentos a Fani), ao mesmo tempo em que péssimos momentos de Alemão também ficaram de fora da edição pra tv aberta.
Eu não tenho dúvidas de que, se o bbb se aproximasse mais de um reality show do que de uma novela, o programa seria mais chato. Porém seria mais justo. Obviamente qualquer empresa enfatizaria o entretenimento. Mas não é necessário nem desejável que um veículo de massa ignore tão profudamente os valores democráticos.
Aliás, pelo que vejo da retórica de Bial - que (pasmem!) considerou a aceitação do triângulo protagonizado por Diego como um avanço no sentido da libertação sexual -, não me espantaria ouvir da boca do provocador-torcedor que Alemão se tornou um ícone contra a "ditadura do politicamente correto".
Cada um interpreta a tendência cultural que merece... ou convém.

Lana (matilde) disse...

Kane, como blogueiro principiante, segundo vc mesmo disse, vc não deve absolutamente nada a nenhum blogueiro veterano.

Um dia quero escrever textos tão lúcidos, ponderados, brilhantes e equilibrados como os seus.

Parabéns!!!
Virei fã e visitante diária.
Abraços

Lana (matilde)

Pato disse...

adorei!

thiago disse...

Brilhante o post! Concordo em número gênero e grau.
Parabéns!

Sylvia disse...

Estou encantada com a sua imparcialidade e clareza ímpares. Parabéns!
Tem certeza que você é blogueiro principiante? Deveria sim é ensinar uma ou outra coisa para alguns blogueiros que tem por aí. Não me furto ao direito deles de serem torcedores, eu também sou, mais o que não concordo é com a forma que denigrem alguns participantes.
De qualquer forma, parabéns! Me tornarei uma visitante assídua.

Raquel disse...

Você fala demais e eu cansei de ler. Que texto mais chato.

Kane disse...

raquel,
... obrigado pela visita. O propósito é esse mesmo: ser chato e cansar os leitores de gibis.
Fique com Deus.
Beijos.

heineken disse...

kane, algo a dizer sobre o meu comentario?

Angela disse...

Olha, que surpresa boa! Entre tantos blogs desvairados, enfim, encontrei alguma coisa ponderada! Com análise calma, ponderada e inteligente. Continue! Você está ótimo! Ganhou uma leitora diária!

Kane disse...

heineken,

... muito bem exposto a sua idéia, contudo, ainda, vejo que a novelização do BBB é uma ingrediente que só o Brasil teria condições de fazê-lo, por enquanto. Somos uma teledramaturgia invejável, devido a qualidade do produto. Concordo com vc quando que a caracterização deveria ser a todos, lógico que sem personificar o jogador, de tal forma que seja odiado por quem o vê.
Não vejo a Globo ignorar igorar os valores democráticos de forma escrachada como no passado. Vejo que a emissora está fazendo escola e que precisa aperfeiçoar o seu estilo, para agradar a todos ou, a maioria, que é o objetivo democrático. Impossível agradar a todos, mas, a maioria tem que ser o foco do entretenimento. A Globo, é uma grande televisão e reconhecida por seu padrão no mundo. O problema é que ainda carrega o estigma da ditadura, em que corria conforme o poder. Isso é passado; num mundo globalizado a emissora tem que se fazer valer os preceitos e a vontade da maiora. Vejo a televisão como reflexo de seu povo.
Pedro Bial também errou em sua parcialidade aberta. Devido a seu jeito também passional como a maiora de nós, fez valer suas idéias. Com crítico, do mediador Bial, ele errou, deveria levar um puxão de orelha de seu chefe, como em qualquer emprego. Como crítico do torcedor Bial, ele foi aplaudido por suas farpas... a maioria, está com ele. Tipo, o profissional errou, mas, agradou. Ele incorreu em falta de ética. A frente do programa ao vivo ele tem que fazer valer a imparcilaidade o máximo possível, pois todos têm condições de ganhar o prêmio.
Se formos analisar o jogo sem o lirismo envolvido, Alberto é o grande jogador do BBB. Ele teve todos os percalços possíveis dentro de um BBB: num começo foi admirado, foi mocinho, foi vilão, foi perseguido, perseguiu, fez complô, foi alvo em potencial e ainda o é, e, contou com a sorte em muitos momentos, faz uma análise correta do jogo e interage com o público ao colocar descrença nas edições.
Este programa é sorte aliada a muito carisma, sem isses fatores não tem ganhador.
Diego está longe de ser o exêmplo de correção. Esta a favor dele o seu jeito canastrão e suas "mulheres", que nas primeiras semanas era o que acontecia no BBB. Foi evidenciado porque nada acontecia paralelamente. Isto é, acontecia, mas, nada mais interessante que o Brasil Rodrigueano queria ver. As edições são boas em qualidade mas, são tendenciosas, no sentido de não ser proporcional a todos os envolvidos. Todos deveriam ter o mesmo espaço em tempo e qualidade no "horário eleitoral"(risos). Isso seria interessante porque muitos blogueiros não teriam do que reclamar. Pois, mesmo com a proporcionalidade do tempo, o trio ganharia notoriedade exatamente por não ser o politicamente correto. Não é um programa onde o telespectador vai mensurar seus valores e os bons costumes. É programa para rir e se emocionar e não para educar. Educação, princípios, valores e honra se tem na família e em seu nicho ecológico. BBB é um escape. Penso assim.

Heineken disse...

Sim, no Brasil, a novelização é característica da cultura brasileira. Qualquer produto cultural (especialmente entretenimento global) inevitavelmente vai passar por aí. Só acho que nós, cidadãos e telespectadores, temos o dever de denunciar quando valores da cultura democrática são ignorados. Qualquer programa - seja do João Kléber, do Faustão, do Bial ou do Paulo Markun - deve respeitar os valores da justiça e da transparência. Não precisa ser pedagógico pra ser justo. Entretenimento não é avesso à democracia. Educa-se mesmo quando (talvez principalmente quando... como salientam os educadores) não se pretende educar.

kane disse...

heineken,
... é por aí: "Educar-se mesmo quando não se pretende educar."
Mas, neste caso, o que aprendemos, não é o transmitido. É educar-se(por si só) ao confrontar a informação que lhe é transmitida mediante o seu aprendizado contruído. Se aprende no questionamento, na concordância ou não do que é visto e, principalmente como nosso discernimento vê o que é transmitido, isto é, a forma como o seu aprendizado construído está interpretando os fatos. Se errado ou não, é deficiência ou riqueza do poder de ver, sentir e reagir. É a idiossincrasia de cada um.

heineken disse...

É claro que o aprendizado passa pela crítica ao recebido. Mas, convenhamos, é preocupante quando o programa de maior audiência da emissora mais popular do mais importante veículo de comunicação cai na imoralidade de sistematicamente estabelecer assimetrias entre participantes de um jogo pretensamente igualitário.
Haja senso crítico, boa formação familiar e educação democrática para resistir à massificação da injustiça.
Espero continuar debatendo. Acho BBB um excelente programa para suscitar debates sobre costumes e valores. Só pra esclarecer, quando falo em imoralidade anti-democrática, penso mais em cultura democrática do que em sistema de governo.

Anônimo disse...

Que mala esse heineken...

Heineken disse...

Kane, tenho que lhe corrigir em algo indispensável: o objetivo democrático NÃO é agradar a maioria (isso seria a "tirania da maioria"), mas estabelecer a vontade coletiva a partir de procedimentos legítimos, em respeito a direitos e garantias fundamentais.
Agradar a maioria violando liberdades individuais e coletivas é precisamente ANTI-DEMOCRÁTICO por definição.
Lembro ainda que garantias constitucionais se sobrepõem a qualquer cláusula contratual que os jogadores teverem assinado.

Léo disse...

É um excelente texto e compartilho de muitas das suas opiniões.
Acredito que o maior contraponto entre as nossas convicções foi quando você escreveu que: "Não somos mais um país que, em sua maioria, acredita em tudo que vê na televisão, já aprendemos a questionar e seguir com nossas próprias conviccões.". Não concordo, pois, ainda hoje, acredito que a maioria dos telespectadores infelismente não são capazes de formar sua própria opinião. Como você mesmo disse, a maioria das pessoas aqui no nosso país não consegue discernir o que é ficção do que é realidade.
Também concordo que a Globo mude o rótulo do programa, pois ele de reality-show não tem nada. Não se pode, de forma irresponsável, impregnar à imagem das pessoas os rótulos que ela cria para a sua ficção, chamada BBB7.
Achei também que "pegou leve" com a parcialidade do apresentador do programa, que se mostra cada vez mais antiético em um dos papéis fundamentais do programa. Seria ele que transparece a vontade do povo, ou o povo que segue a sua opinião? Que parece ser bem vista pela direção do programa.
Acredito que o BBB poderia ser um programa que pudesse fazer com que as pessoas pensassem, formassem sua própria opinião e respeito do comportamento humano, mas também concordo que não é isso que a maioria quer ver. Acharia fundamental que se mostrasse a realidade da casa imparcialmente, sem novelinhas (até porque já se tem muitas ao longo do dia), rótulos, ou interferências externas, mas apenas com informações para que o telespectador pudesse escolher os seus participantes preferidos a partir da sua própria identificação com eles.
Mas como sei que são apenas utopias o que me resta é procurar algo diferente para fazer no mesmo horário.

Heineken disse...

Concordo, Léo.
Assim o reality show seria um entretenimento justo, e não a novela injusta que se tornou.
Quanto à parcialidade de Bial e da edição, o que é mais indigno é a defesa hipócrita da credibilidade. Se é pra ser o que é, que façam como o Sílvio Santos, que deixava claro que mandava e desmandava na Casa dos Artistas, cancelando paredão e o diabo a quatro. Isto seria honestidade, que Bial afirmou estar acima da imparcialidade.

kane disse...

Léo

... penso que não somos uma maioria alienada do processo. Não quero crer nisso (risos).
Concordo que tenha uma parcela considerável que não tem opiniões formadas e se deixa levar pela mídia televisiva, mas, essa parcela não é a que dita os rumos do jogo. Quem liga é a classe média que tem sim acesso a formação e tem sua opinião pré estabelecida não é o alienado. A formação maciça de opinião por parte da televisão se dá em bolsões isolados(Interiores de todas as regiões mas, principalmente do Norte e Nordeste e Centro Oeste do pais). E mesmo assim, esses isolados não são as pessoas que ligam e influenciam no jogo.
Ao afirmar que o brasileiro não sabe, em sua maioria separar o real do surreal quiz dizer que o brasileiro confunde por lirismo sua vida real com a vida abstrata, isto é a vida de outras pessoas, no fundamento fantasia da televisão, nesse caso, os jogadores do BBB, que num reality show estão vendendo por três meses as suas vidas e nos passam(a emissora) a idéia que tudo aquilo é real. Logo tudo que dizem ou fazem ou sentem também é real. Daí eu ser contra a caracterização de um jogador de forma negativa, pelas edições que podem influenciar num primeiro instante na eliminação ou rejeição descabida do demonizado. E ao sair do programa ser confundido com o jogador fulano em vez de ser visto e analisado como "o cidadão fulano". Não quiz dizer exatamente ficção, quis dizer uma vida "abstrata" que não é a sua mas, vc a vivencia e toma as dores por sermos passionais exacerbados. Mas, vc não deixa de ter razão algumas pessoas confundem a novela da oito com a vida real, vide alguns constragimentos de artistas nas ruas.
Obrigado pela visita. Contraponto interessante.
Abraço

Anônimo disse...

quanta merda! Vota a tua condição de opinante nos blogs que dão apoio a venus platinada!

kane disse...

anônimo,
..., sei quem é vc(risos), sem problemas.
Vou rever meus conceitos e fazer isso, que gentilmente, me pedes. Agora mesmo.
Obrigado pela visita à merda.
Fique com Deus
Abraço

Léo disse...

Kane,

Também acredito que a maioria das pessoas que ligam são classe média e média baixa, mas, ao contrário de você, não creio que, por eles terem acesso à informação, não possam ser considerados alienados. Acho que o dado que possa indicar isso melhor é a quantidade destas pessoas que tiveram acesso a um bom colégio, universidade ou faculdade, o que reduz a uma quantidade pouco considerável de votos.
A meior questão que deve ser levantada é a insistência que eles têm de chamar o BBB de reality-show, o que é uma inverdade. Como o Heineken disse a "defesa hipócrita pela credibilidade" pode confundir a cabeça dos menos conscientes de que aquelas pessoas, que são apenas seres humanos suceptíveis a erros, são realmente boas e más. E é aí onde está a irresponsabilidade dos diretores do programa que sabem que isso é real.

Kane disse...

Léo,

...verdade. Concordo com você.
Há a necessidade de vender o produto com suas especificações corretas. Tipo o que está no interior do pacote tem que corresponder ao que vem detalhado no rótulo. O x da questão.
Heineken lembrou algo primordial para embasar o processo democrático que é a escolha pela vontade da coletividade. Que vai com certeza endossar os anseios da maioria, mas, respeitando sempre os direitos e garantias individuais, num processo legítimo e que esteja fundamentado na carta magna. Muito bem heineken, bem colocado.
Valeu.

mariana disse...

Sensacional!!!!!!
O melhor do dia.
Parabéns!

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Ah, navegante, você sabe as regras de conduta. Não envergonhe Voltaire e faça sua parte. Eu, certamente, farei a minha: deletarei os comentários tolos ou ofensivos a quem quer que seja (comentaristas ou blogueiros). Meta pau nos que venderam a alma pro Boninho.

Contato com Citizen Kane E-mail: sociedadebbb@bol.com.br
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