quarta-feira, 8 de abril de 2009

Terra Brasilis

O ser humano é curioso, é um assombro, um oceano de contradições. Reclamamos de quase tudo, mas, muitas vezes, não temos pulso, determinação e postura certeira para mudar. As atitudes são de acordo com as circunstâncias, a personalidade segue os ventos, somos coniventes, norteados pelo 'jeitinho brasileiro', não há racionalidade ou sensatez, não há ponderação de prós e contras; desperdiçamos tempo, voto, dinheiro, oportunidades; sonhamos e não agimos, contamos vantagens demais, deliramos e nos perdemos em finalidades irrisórias.

Não é de minha conta, eu sei, façam como quiserem, o dinheiro não é meu. Cada um deveria saber o que é melhor pra si. Contudo, aqui escrevo apenas a minha constatação, pela riqueza de dados que as marolas bloguísticas nos oferecem para opinar. Já recebi a minha, sou assinante; olhei, gostei de algumas fotos, outras não. Tem coisa mais interessante na edição, e não me refiro apenas às "figurinhas". Fora feito para 'senhoras', na medida certa como pediram. Uns dizem que é Arte, certamente eu não sei o que é Arte. Mas, não é o caso. Sucesso!

Agora, como ganho salário mínimo, não tenho capital pra comprar 150 exemplares da mesma revista. Do pouco que ganho eu doo para famílias necessitadas, cestas básicas é claro. Vou lá na casa deles, in loco, e vejo o sorriso de filhos que não têm culpa de vir ao mundo repleto de dificuldades. Não combato a causa porque não posso, e acho que faço muito pouco. Mês passado e neste, eu e mais alguns bons amigos nos reunimos, compramos mantimentos e os enviamos para um órgão de apoio às vítimas das chuvas no Norte e Nordeste. Ainda não confio em depositar meu suado dinheiro numa conta estranha, por mais que seja em nome da solidariedade. Mas, se tivesse o capital "disponível" ou "sobrando", e fôssemos uma Nação abastada e sem problemas socioeconômicos, doaria para a África faminta, até rasgaria ou queimaria, mas jamais, em tempo algum, usaria para uma fanfarrice beócia, ainda mais para dar falsa e efêmera notoriedade a alguém que não fez nada na vida. Absolutamente nada. Pelo contrário, desperdiçou a vida acadêmica, abandonando cursos pela metade, pois vislumbrara que ganharia mais com o nobre jeitinho: mostrar seu 'brilho' para um país carente de ídolos de barro. Ou seja, lucrar sem esforço ou labuta. A mim, não representa coisa nenhuma, não fez nada por merecer, nem minha pena, persona esta que ainda faz apologia ao ilícito e de comportamento duvidoso. Triste ver jovens se achando a última bolacha do pacote, sem, no entanto, mostrar algum valor palpável. E haja aplausos e seguidores! É estranho, surreal. Viva o Brasil!

Este não é um post metido a ser politicamente correto, cujo blogueiro queira se mostrar o fodão ou superior, como já fora alfinetado num blog que diz respeitar as diferenças. Não me acho e nem sou superior, não pretendo ser, nunca foi minha meta ter um bilhão de acessos, já que nem halos mantenho, nem escrevo para agradar cabeças ocas como fazem na maior caradura. Escrevo o que penso, certo ou errado, é minha opinião. Sou pecador errante, e muito; o mais errático dessas bandas e, talvez, meus defeitos e idiossincrasias não lhe agrade. Paciência, este é um espaço destinado a minha opinião, fique à vontade para se retirar, e lamento o fato de não ter um sistema de comentários o ano todo, para que as opiniões contrárias sejam expostas. Falta-me tempo para brincar mais por aqui. Há uma falha de comunicação, pois só tem uma via, mas não faz de mim um criminoso. Crime é lesar e se aproveitar da ingenuidade alheia como fazem por aí. Não há credibilidade nisso, há constrangimento.

Está tão nonsense que quem lê as pérolas pensa que é comédia. Infelizmente é drama, e da vida real. Mas, também, não é o caso. O triste é constatar que, em frente à banca onde uma única pessoa compra dez exemplares da mesma edição, tem uma família com fome, mendigando, deitada em papelão, ao relento, marginalizada pela falta de oportunidades. Então o que fazemos com o money disponível ou sobrando? Sem falar na contradição em enriquecer mais e mais uma Editora e seus sócios de merchandising, a fim de querer nos enfiar goela abaixo uma star ignorante e forjada pela insistência tola. Um mês de evidência nas manchetes e a encenação acaba. O "reconhecimento" dura menos tempo que o que fora gasto para ganhar as patacas "disponíveis" para comprar a Bela da Capa.

Consigo, neste momento, ouvir os pensamentos de alguns: — o problema socioeconômico não é meu, é do Estado, eu pago meus impostos para isso. Sério?! Você acredita mesmo nisso? Você lembra em quem votou nas últimas eleições para vereador de sua cidade? Ah, tá, é o famoso "lavo as mãos". Mas, também, não é o caso.

Cabem aqui alguns questionamentos. Esse povo acha mesmo que 99,999999...% da população está preocupada ou interessada em quem vende ou deixa de vender capas? E que vão se juntar a eles nessa cruzada infantilóide? Olha só, realizem por favor, ca-pas! Vai mudar sua vida para melhor saber que eles vão se casar e mobiliar a casa nova? Se fulano, beltrano ou sicrano é recordista por comer mais hot dogs em um minuto? Recorde. Você sabe o que essa palavra significa e o que está implícito, objetivamente, no capitalismo selvagem? Você consegue formular uma vaga idéia do que a Editora quer com isso? Recorde de quê? Me belisca que estou tendo um pesadelo. Ainda mais que o mérito não é de vendas revista/pessoa propriamente, mas de fanáticos iludidos — talvez até feridos no orgulho, por não terem a unanimidade que desejam para seus ídolos de barro — em fazer disto uma questão de honra. Será que esse povo acha que um título, em letras garrafais, afirmando que a fulaninha vendeu um trilhão de revistas, cuja temática é abrir as pernas e mostrar a vulva, vai mesmo nos demover do que se pensa verdadeiramente dela, deles e de todo esse processo de entronização? Cite um país desenvolvido e sério onde esse descalabro ocorre. Pois é, não há. Somos motivos de piada por esse tipo de comprometimento. Empenho com o nada, com o vazio, com a tola ilusão, com a falta de critérios. Eis a Terra Brasilis. Onde o rico fica mais rico, o pobre fica mais pobre. E, adivinha de onde vem os meios para enriquecer a elite, a senhora do engenho, cada vez mais? Do seu bolso, pobre colono.

Prometo que é a última manifestação sobre o tema, mas é que me constrange ler tamanhas sandices. E de gente acima dos trinta, quarenta, cinquenta... Não lerei mais, juro! Vivam seu mundinho na santa paz.

Rosebud

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Seguinte, para o internauta que não está atrás de ídolos de barro ou de exemplos de vida num programa de entretenimento e que gosta de se divertir, a Scully está cobrindo o reality A Fazenda. Pelo jeito ela gostou, ou, está tentando gostar do programa, pois os posts são escritos com certa motivação e bom humor. Não assisto o programa, mas já ri muito com os posts dela, inclusive deu curiosidade, embora que temporária, pois meu interesse por realities já não é mais o mesmo. Agora, meu caro(a), não vá lá pensando em gozar com o instrumento alheio e atrás de casal fantoche que não vai dar certo. Ela não quer quantidade, ela preza pela qualidade e educação no seu sistema de comentários. Lá, os comentaristas se divertem com o programa, não vivem a vida alheia e nem se descabelam por panaquices.
Beijo, Scully.

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